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you better keep it in check or you´ll end up a wreck and you´ll never...wake up

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Dor de pensar

Besides all my rage I am still just rat in a cage

[Correntes de elástico em chumbo - esticar - ponto máximo de flexibilidade dos canais nervosos e sulcos cerebrais - matéria cinzento-escura, poluída, veias e polpa esponjosa, a empapar..argulhas de tricô espetandove-se pelas fones e arrancando globos oculares, turvando de sangue as retinas, escurecendo a visão. Dói pensar. nervoso muriático que corrói. essa ansiedade...]

O quarto está vazio.
Olho para as estrelas que intei no tecto pela luz da avenida lá fora, aos quadradinhos castanhos. Harmonia de formas em vulto, numacomposição quadrada perfeita,cheia.
Malha branca de noite aos quadrados reflectida na parede do armário aberto.
Tento respirar o arrastar os carros ao longe, tão perto...
Custa demasiado.
Esta Dor de pensar.
Sobre as fontes carrega demasiado.
Aperta demasiado
os músculos e os tendões
e o cérebro sobre o peito
eo estômago a acidar a língua
e a estrangular a garganta.
Acidar...
Isso existe sequer?
Aperto a almofada contra o peito.
Desenho as bonecas e a miau no negro.
Procuro desesperadamente a construção de segurança.
So queria dormir...
Já tentei desdobrar-me em todas as soluções possíveis.
Mas volto sempre ao ortónimo do pensar e sentir.
Damn..é cíclico.
Pobre Pessoa..e tentaste tanto...
Andar às voltas num beco sem saída.

deixa-me transcender ou ser um vegetal!

Tell me I'm the only one.Tell me there's no other one. Jesus wasn't an only son for you.
And I still believe that i cannot be saved.


[Just embrace the fucking moment!]

8 acordou e disse:

  • At 9:23 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    É um sitio para sonhar.
    Sonha, sem medo de errar.
    É simples, fecha os olhos.

    A dor de pensar é somente uma causalidade
    pensa, sem pensar na verdade.
    É simples, abre os olhos.

    O quarto não está vazio. Na verdade há tanto dentro do quarto. Simplesmente há que arrumar o quarto.
    Os tendões, o cérebro e o peito. A construção sinestésica de um olhar variavel sobre uma constante.
    A dor de pensar nasce da vontade de doer. Depois é o nascer do sol, a luz que chega para apagar o acido que flui ciclicamente. A janela de retratos prateados é que tange a porta de desenhos adormecidos, inertes na profundeza dos quadrados angulares que se arrastam através de movimentos paralelos. E é quando a luz perfura o transparente do vidro, quando a escuridão retumba nas paredes cavernosas, quando o cubo é hexagonal que se percebe que nada é igual. Nada é de facto verdadeiro, quanto mais real.

    Num beco sem saída, não interessa a altura do dia, se é noite ou se o sol estende os braços iluminando a indestrutivel travessa. Não interessa se é grande, se é pequena. Se tem lixo, ou se tem artifactos. É o teu beco, escreveste-o. Mas é teu. E nos traços calmos das tuas palavras, dos teus pensamentos, das tuas deixas, dos teus movimentos. Olhas como se cada parede fosse um espelho, um espelho que te censura e que te diz o que deves fazer. Analisas-te ao reveres o espelho. Espelho que te imita. Mas que é a simples representação escrita, visual, sonora, tactil e perceptiva de tudo o que pensas. É o teu beco, o teu espelho. Mas são teus. Adormece-te, coloca-te num torpor premeditado e considera a imaginação:
    As tuas veias, vermelhas, sangue. As artérias, azuis. Mais sangue. O teu sangue corre pelo teu corpo, percorre as tuas linhas, os teus traços, as curvas. Sente o sangue a fluir calmamente, sem a dor do pensamento. Que interessa se respiras, ou não respiras. Interessa a anatomia? Acorda do torpor, levanta-te.

    Transcender ou vegetar... eis a questão.

    Oh! Não fosse pensar, pensamento em toda a parte.

    Well at least you know he wasn't afraid to die...

     
  • At 10:28 da tarde, Anonymous Anónimo said…

    o pensar, é tao causador de dor como a capacidade de tranformaçao de 1 pensamento em realidade, como o triste e cortante facto de que nem tudo o k pensamos, desejamos e queremos, podemos ter.
    o sonho da cor a realidade, e amarga ainda mais a vista do seu sonhador, por ver cinzento e sonhar a cores, por tropessar em formas geometricas e imaginar formas surreais.
    O pensar é pesado e custoso, mas o sonhar é leve e fluido. permite-nos abris horizontes fechados e navegar, sem hora de voltar, sem medo de errar. posto isto irei smp pensar o k sonho e sonhar pensando.

     
  • At 8:42 da tarde, Blogger Diana said…

    vejo muito de Pessoa aí... É sempre bom termos uma certa capacidade de nos outrar.. de fugir e de nos adaptar.. mas será que é para sempre? Perdemo-nos sempre mais um pouco, na confusão que é descobrirmos quem somos... Mesmo assim tentamos. É inevitável. Mesmo que doa e não consigamos suportar, tentamos. Porque apesar de não sabermos quem somos, há certas coisas das quais não podemos fugir.

    Fiz sentido?

     
  • At 12:54 da manhã, Blogger SuntoryTime said…

    O melhor de Pessoa era Caeiro:

    "Pouco me importa.
    O quê? Não sei, pouco me importa."

    A dor de pensar é uma ficção.

    E filhos de deus somos todos.

     
  • At 12:59 da manhã, Blogger D@s Pl3ktrüm-/v\ädch3n said…

    Tens tantas hipóteses de ser salva como qualquer outra pessoa. Mesmo que a hipótese seja absolutamente nula. You're worth saving - and this much I know (or want to believe) for sure =)

     
  • At 2:15 da manhã, Blogger Unknown said…

    Terás de me perdoar a intromissão no teu tecto, mas acontece que comentaste uns textos no meu...em Abril. Juro que não tinha visto antes senão teria cá vindo há mais tempo. Agradeço-te desde já os teus comentários.

    Bom, quanto ao texto, acho que praticamente qualquer coisa que seja minimamente inspirada em Pessoa é boa, ou pelo menos tem inegável propensão a tal. O teu poema confirma-o.

    A dor de pensar, a dor de querer fugir do nosso meio, a dor de tentar alcançar a segurança. São tudo dores que, mais cedo ou mais tarde, cessam; ou porque atingimos o nosso objectivo ou porque nos habituamos de tal modo a elas que não importam mais.

    Por fim quero apenas parabenizar-te pela tua escrita.

    kudus.

     
  • At 12:18 da manhã, Blogger Unknown said…

    "deixa-me transcender ou ser um vegetal!" :)
    nao penses que pensas n penses k tens cerebro, que tens musculos e orgaos e sangue. esquece isso tudo e deixa te sentir *

     
  • At 5:28 da tarde, Blogger T. said…

    dói pensar mas não podemos deixar de o fazer.

     

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